quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Inaudito
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Recado
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AGORA E AMAR-TE ETERNAMENTE POR TODA A
MINHA VIDA, SÓ PRA NÃO TE AMAR MENOS.
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Leveza
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eu já sofri muito de amor, cara
deporpelopara o amor
por isso que atualmente
eu só encaro ou encontro o amor
pelas frestas de luz das portaspessoas
pelas brechas dessas portas
das portas deles,
dos seus braços e abraços
que muito duvido haver sentimento
de brecha em brecha
porta em porta
de corpo a corpo
entupo-me de amores de muitos
amores meus aos muitos, aos montes
pois que um dia entrei por uma porta
que pensei estar aberta
e ali me deixei
fui embora
deixei meu tudo
meu todo
nas mãos, nada levei
no rosto, levei-o nas lágrimas
no coração, as mágoas - o que restou do amor.
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Dois punhos
num movimento
num gesto
na voz
num passo
no braço;
eu levo a vida,
e não ela que me leva.
não saio dessa vida,
ela que saia de mim.
no dia da morte,
morrerei com a vida
- eu matarei a vida.
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domingo, 22 de novembro de 2009
Para ler
- Não acredito que tu não conhece o "Soneto da Fidelidade", de Vinicius de Moraes... ! - exclamei.
- Não, não conheço. Nunca me interessei por essas coisas. Não tenho sensibilidade pra isso. - respondeu-me ele.
- Até quem não conhece Vinicius de Moraes, sabe que o Soneto da Fidelidade é dele. - retruquei.
- Fica comigo pra sempre? - pedi-lhe.
- Fico.- concedeu-me ele a felicidade.
- "Soneto da Fidelidade", (...) - recitei-lhe com o amor transbordando por cada poro do meu corpo, em cada letra verbalizada.
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sábado, 21 de novembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Für Wagner
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009
In certezas
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Como as letras de uma máquina de escrever
Tudo que me for inútil eu jogo fora, fora de mim. Um fora dentro, mas fora. Minha vida já foi uma torta suculenta de chocolate, propositalmente posta pra fora do estômago - meu estômago, querido estômago, que tantos etílicos já aguentou. Já vivi várias vezes. Sobrevivi outras. Nasci outros tantos, e morri, morri muito. A mim, mataram-me aos poucos e enfim, por completa. E, semelhante à uma fênix, renasço. Renasço das cinzas. Não das minhas próprias, mas sim, das cinzas da vontade dos outros em matar-me. Y vuelvo. Levaram meu coração, meu sustento. Minhas palavras, meu tento. Deixaram-me só, comigo mesma - e só. Às penas. Deixaram-me a dor, deixaram que eu sofresse. Deixaram-me uma pena. Sem coração - sem palavras -, fiquei. Fiquei sem poder escrever, pois que com uma pena só não se escreve um romance, que sem coração não se faz amor. Pois que sem palavras não se faz um livro, que pena! Acabaram-me a vida em tudo o que me era vida. Que me dava vida. Tudo o que eu era ávida por. Nessa vida eu morri várias vezes. Incontáveis vezes. Morro em vida. A cada segundo morro - em cada próximo segundo nasço novamente. É a minha vida parindo-me em vida. Sou eu parindo vida de dentro de mim - e pra mim. Eu diferente, eu-nunca, eu-sempre, eutudo, eunada, eutriste, eu alegre, eu-flor, eu-espinho. Como uma fênix, renasço. Renasço das cinzas. Renasço das cinzas de um cigarro - no próximo trago -, em um novo gigarro, renasço. Sempre e cada vez mais forte volto das cinzas da vontade daqueles que tentaram matar-me em vida, das intenções mortas junto comigo daqueles que em mim as objetivaram. Eu. Sempre viva e sempre morta, às vezes moribunda, mas sempre alguma coisa, mesmo que nada. Minha vida é torta. Não-linear, não-retilínea - infinita. Minha vida tenta dar vida à vida. Sentindo muito por essa vida sem sentido, essa vida de sentir - e só sentir. Consentir. E com sentir, fiz de mim o meu maior refúgio. Meus pés meu através, minha mente o meu caminho. O meu destino: eu. O dia em que me encontrar, sossegarei essa minha viagem terrena. O dia em que me encontrar será o dia em que não mais me esconderei, não mais me refugiarei dentro de mim. Nesse dia, enfim, me libertarei. Sairei do meu refúgio dentro de mim para morar em mim mesma - e assim, morar em qualquer lugar. Eu serei a minha própria morada. Minha morada própria. Darei a mim mesma o maior presente que poderia receber: a liberdade de ser o que sou. A liberdade de ser o que estou sendo, ou estou pra ser. A liberdade de ser. Ser. Estar sendo, pois que não somos, e, sim, estamos. A liberdade de estar. Estar.
Minha vida torta agridoce, minha tortura ácida - e doce. Eu, torta: inclinada à ousadia, à vontade de transcendência de mim mesma. Eu tentada à tentação de tentar e atentar. Eu (vi)vendo tudo o que há para (vi)ver.
Dizem por aí que deus escreve certo por linhas tortas.
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domingo, 1 de novembro de 2009
In possibilidades
E se eu disser que já não consigo escrever?
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sábado, 10 de outubro de 2009
Sobre o amigo do melhor amigo do homem
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Carroça
as coisas mais bonitas
dentro de mim
- que não pude te dar.
E eis que hoje descanso
de um dia por ti
e por outros
muito amor nas costas levar
- e o coração sentir.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009
Cruz na porta da padaria
procuro muito esquecendo-me em muitos copos e corpos, esquecendo que
às vezes
procuro não encontrar.
esquecendo que às vezes, as vezes que me procurei nunca achei.
procuro em mim as borboletas que um dia habitaram em meu estômago.
já não as encontro:
o álcool afogou-as todas.
exceto uma.
pobre borboleta, tanto espera,
larga esperança.
a minha borboleta estomacal é verde, bem clara e viva: é uma esperança.
procuro minhas utopias e não as encontro,
asfixiou-as todas o cigarro.
é nisso que dá depositar utopias em seres de carne, osso, dois olhos e duas pernas.
já meio sem rumo algum e sem caminho,
deparei-me comigo mesma travestindo a alma de
equilibrista.
recuperei meu edredom do tempo de criança. recuperei nessa colcha
a minha criança perdida e revoltada que decidiu fugir de casa e foi pega no ato,
no alto da primeira ladeira que subiu - a coragem e perseverança
que naquela ladeira deixei.
pelas estradas revivi oceanos de despedidas que permeiam minha vida
desde minhas outras vidas.
andando sem ilusão, como a realidade, e de tanto alimentar-me de realidades,
as cores em mim escureceram.
como a utopia dos visionários de todos os tempos, estereotipados surreais, loucos.
alimento-me daqueles que foram loucos, e das suas loucuras e das minhas,
faço a minha realidade.
a minha realidade surrealmente real, como a utopia.
eu como a utopia, esse é o meu sustento.
esse é o meu tento, meu teto - sem teto.
trilhando ruas e ruas pelo meio-fio,
dançando conforme pede a ocasião,
ultrapassando os limites hipócritas dos que aqui vivem,
dei de cara e corpo com a padaria.
a tabacaria deixei-a pra trás.
não sou nada, nunca serei nada mais que nada, e desse nada que sou
e nunca deixarei de ser:
sou tudo, serei tudo.
olhei pro padeiro, observei-o durante alguns poucos segundos e, sem ponderação alguma, disse:
me dá um sonho.
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segunda-feira, 7 de setembro de 2009
A propósito de Isabel
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quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Sobre o Estado em que vivemos
- Foi num domingo que eu descobri que iria sentir falta. Naquele bar de sempre. Aliás, descobriram por mim. O garçom do bar fez-me esse favor. Essa semana tudo foi assunto; essa semana ela caiu no assunto - quase como todos os demais cairam. Foi instantâneo lembrar de Frida, uma carta e muita solidão compartilhada - a cada milésimo de segundo. Falei sobre as costas espinhentas daquele rapaz; daquele outro mencionei o blues; do recente calei. Muitas críticas e poucas melhoras: a gente não quer mudar, a gente quer saber algum defeito - que perfeição já tá virando impropério. Muitos pastéis no Tororó, um bar na praia que costumamos ir, muita música e muito ver o sol nascer primeiro nessa praia do que em qualquer lugar das Américas. Foi muito Chico Buarque, muita fossa, confissões e mais. Todo mundo querendo abstrair a malícia da vida saindo pra rua, vivendo a rua, compensando na rua o que não se consegue fazer em casa. Na rua, mais exatamente no bar, afogávamos o nosso niilismo existencial na cerveja, no vinho. Temos sido tão loucos, tão sóbrios. Mais que errado está quem disse que a embriaguez nos tira do estado de consciência. Somos todos racionais - e toda racionalidade é movida por algum sentimento, por mais implícito que ele esteja. Na embriaguez encontro minha sobriedade. Estamos perdendo muito tempo, muito dinheiro. Ganhando muitos amigos, comprando muitas cervejas. Conosco a vida se fez dependende do corpo, da carne. A alma desprendeu-se, a nossa visão agora abrange o universo. Engolimos as mazelas da vida, sopramos os restos, tragamos do bom e do melhor e viajamos pr'onde der na telha. A nossa cidade é internacional, comungamos à vida com orgias enquanto outros o fazem com pão e vinho. A carne virou lei. Alma agora é utopia. Viva enquanto houver vida. Vida à viva! Pois que muita gente passa a vida morrendo - pra viver esperando a morte. A morte? Quem disse que vamos morrer? O que é morrer? Nessa vida já morri tantas vezes... A morte tem vida própria. Há vida na morte, chacinas na vida. O que diferenciaria a vida da morte? Postulamos que o mundo é ilusão, que as instituições são valores "facultativos" a serem seguidos; postulando agora que o cenário internacional em que vivemos é anárquico: ser carne é nossa lei. A gente quer viver até o que não se pode viver. As medidas são relativas: não há medida. Tudo é relativo, então "tudo é relativo" é relativo. Aqui nosso Estado é o estado de ânimo, aqui mora a lucidez em forma de loucura. A loucura da lucidez - pelo avesso. Aqui a gente tem muitos amores, mas a gente quer apenas um.
Baseado em fatos reais.
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sexta-feira, 28 de agosto de 2009
A boemia de casar por aí
Decidi: esse mês eu te mato, à gosto.
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Neoliberalismo sentimental
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Cicuta hedônica
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Por favor e com paixão,
Traga-me à vida pela morte
Dos sentidos extasiados.
Ávida, peço-te:
Traga o trago derradeiro.
Traga-me um cigarro,
Um cinzeiro.
Um copo de whisky,
Muito calor
E quatro pedras de gelo.
Apolíneo e dionisíaco,
Leva-me pra cama e...
Traga-me!
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(im)pensado por aaluah en 00:37 9 comentários
quarta-feira, 29 de julho de 2009
ALITERAÇÃO
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a escrita faz
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a literatura,
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.....................escrever é
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a literatura
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.....................em ação,
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.....................estou escrevendo
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a literatura em ação,
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a literação.
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