segunda-feira, 29 de setembro de 2008

cansando de esperança

"- Porque eu sou assim. - disse.

- Vê até onde vai... - falou.

- Vai até eu desistir de esperança. - eu disse."





Ela espera tanto, que isso já deixou de ter sentido. "Isso", porque o que eles "têm" não pode ser classificado, porque se pudesse seria: amargura, e ela não quer consentir com essa classificação, não externamente. Não conformada.
Espera, isso não tem sentido.


(...)



E só restou a esperança, de que um dia ela não espere mais, não.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

sinto muito

finalmente ele está tão assíduo aos meus beijos, tão vulnerável ao meu corpo e às minhas palavras - e tão longe de mim...


ele me olha, mas não vê;
ele me toca, mas não percebe;
ele me escuta, mas não ouve;
ele não sente, mas eu sinto.


o que até um analfabeto saberia ler: as palavras que dizem os meus olhos o que o coração sente;
o que até um insensível poderia perceber: meu corpo, quase suplicando a presença e até mesmo a frieza do seu corpo;
o que até um surdo poderia ouvir: as palavras que a ti declamo e as que ainda não ousei dizer-te;
o que apenas um morto não sentiria, e é por isso que eu sinto: estou viva!, sinto por ele o que eu queria que ele sentisse por mim, além de todo o sentimento que possuo à parte disso: todo um passado [inventado?], presente [inventando] e futuro [inventado].

eu sinto muito por ele.
eu sinto muito por mim.








eu sinto muito por ele e eu.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

acolhe-me para muito muito tempo

'Te amo demais.'

demais: demasiado.
dizer que amas demasiadamente quer dizer que não deverias amar assim?
então, pra quê o dizes?

'Te amo o bastante.'

bastante: suficiente.
quem diz isso?
há um 'limite' para amar?


nos meus poucos dezoito anos e três meses, eu nunca vi alguém que amasse o 'sufiente'.
suficiente pra quê? pra amar até o ponto de engatar o relacionamento, senão desiste? isso não é amor, é só uma vontade medrosa de se amada. ou amado.

e eu aqui, cheia de vontades corajosas para amar demais, passar dos limites da reciprocidade, ou que passem-no por minha causa.

sempre me saciei por, a penas, três meses. nunca ninguém acolheu minha vontade por mais tempo do que isso. medrosos (egoístas?).






o amor que guardo deve ser demasiado.
















[vai ver (!) é por isso que eu tenho que estar sempre fragmentando-o]








sempre??

fechada abertamente

Esses são momentos de puro impulso. Desconheço sua origem, mas desconfio que venha de algum lugar dentro do meu ser; um sentimento que aparentemente quer atenção, quer ser palavreado em letras, quer ser citado um dia.

Uma parte do meu ser não quer a morte comum, essa, da qual todos sofrem: solteiros, tolerantes, apaixonados, ignorantes, amantes, desiludidos, amantes, realizados, aventurados, traídos, conformados, ... Essa metade do que (pelo menos penso que) sou, não quer morrer; quer ser livrada, citada, valorizada.

Essa metade que me difere de mim mesma, que faz mistérios num livro aberto e folheado, afoito para ser lido e aprendido: minha outra metade.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

silenciosa mente

É ele! e pra ele que eu me declaro todos os dias com esse meu silêncio ruidoso.
Um silêncio que fala, mas o que realmente quer dizer, silencia...