quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Sou apaixonada pela poesia. Ela exerce enorme fascínio sobre minha pessoa. Não conheço muitos poetas, poemas e nem a poética. Não sei se nasci pra (ou com) esse dom, mas ao menos sei sentí-la.
Um dia, pedi a uma pessoa já muito conhecida das palavras (e da poesia) que me ensinasse a fazer poemas. Numa contestação ao meu pedido, ela me indicou uma leitura quase obrigatória para pedidos como o meu: "Cartas a um jovem poeta", de Rainer Maria Rilke.


- No livro, Kappus, um jovem poeta em dúvida sobre sua vocação lírica, pede a Rilke um conselho sobre continuar ou não no caminho das palavras; Rilke faz-lhe a seguinte pergunta: "Morrerias se não escrevesses?". Não sei a resposta, não sei se Kappus continuou na vida literária, não li o livro, ainda. -


Depois de mencionar esse livro, ela me pergunta: "Você morreria se não escrevesse?".
Alguns segundos de titubeio depois, respondo: "Não". Uma resposta também ao meu provável dom poético (?). Hoje, me peguei pensando no "Não" que falei. Refletindo sobre isso, descobri que...


Escrever.
Escrever pra mim é uma necessidade;
Escrevo quando necessito expressar-me em palavras, ou quando elas necessitam de mim;
Escrevo quando quero decifrar-me, entender-me no âmago do possível.
Escrevo quando os sentimentos já não cabem em mim como sentimentos: é preciso transformá-los em palavras.
Escrevo quando sinto raiva: passo-a pr'um papel e raiva deixou de ser: é catarse.
Escrevo quando estou apaixonada ou quando o amor não é recíproco, no papel torna-se lirismo, apenas.
Escrevo quando só me resta espera e esperança: profecias. Ou quando imagino e de mim nasce a utopia dos sonhos: contos de fadas.
Escrevo.




Se escrever for tão necessário quanto os amigos e eu não pudesse escrever, eu, literariamente e literalmente, certamente morreria.

6 comentários:

.ana disse...

às vezes meu relacionamento com as palavras é tão complicado quanto meu relacionamento com as pessoas.
e eu te entendo quando falas que "Escrevo quando os sentimentos já não cabem em mim como sentimentos".
faço o mesmo.
tenho muitos textos e cartas escritos. mas que ninguém leu, nem vai ler. foram breves momentos de desabafo.

escreva sempre, e escreva muito. gosto do teu blog!

bjk!!

A. Virgínia disse...

É engraçado... eu me relaciono muito bem com as palavras mas parece que elas acham que eu sou um refugio para elas e ficam sempre dentro de mim. Não sei, elas meio que têm medo de sair, eu compreendo. E sempre as pessoas perguntam 'pq vc não escreve?' eu não sei, e, se sei, as minhas refugiadas nao conseguem sair para responder à pergunta feita a elas, e nao a mim.

Samelly Xavier disse...

Eu acho que conheço essa história...rsssss

Uma vez eu escrevi que a conjugação certa pro verbo escrever é: eu escravo. Porque depois que a gente pega o vício de transformar sentimento em letra, quem disse que consegue parar?

Beijo recitado, linda

nay disse...

faço minhas as palavras de da minha querida vivi ou aninha ;]

Rousi disse...

Eu tbm acho que conheço essa história! kkkkkkkkkk

Lembrei da cena agora. Eu olhando pra tu (toda cheia de dúvidas), ouvindo Samelly e entendendo o que é ser 'Escravo'.

Tbm não li o livro e não sei a resposta, mas se me fosse feita essa pergunta, eu responderia: Não, não morreria. Se o que escrevo é o que sinto, eu morreria se deixasse de sentir. Porque sentir é melhor que escrever, apesar de se completarem. Escrever não existiria sem o sentir e vamos combinar que sonhar, amar, desejar e sentir é muito bom.

Perder os sentidos, às vezes, também.

;)

Tania Montandon disse...

Ai, que maneiro, sem pressão, regra, forma, repreensão, pura escrita livre. Dá pra cheirar poesia, respirar rimas espontâneas ou imaginadas e relaxar com a loquência tão bem letrada.

legas, beijos