quarta-feira, 8 de julho de 2009

Cacofonias no jantar

- Ela diz que Michael Jackson morreu de tanto dançar.


Mal tinha entrado no carro e já começara a reclamar. Tira essa música levanta esse vidro menina chata música de maloqueiro. Não adianta qualquer esforço meu. Edifício. Tem gente que não muda pra nada, nem pra disfarçar. Tornar as coisas um pouco mais disfarçadamente cômodas. Confortáveis. Quer saber mais? Mais uma inutilidade (in)útel de ficar sabendo? Ontem eu cheguei ótima na sessão de terapia, tava viajando naquela poltrona azul psicologmática, nem tinha mesmo muito o que falar. Poltrona-nave um e poltrona-nave 2, segundo ele. Vamos viajar juntos! Uma vez me disseram que eu tava jogando minha vida no lixo. Fiquei projetando essa cena na minha cabeça. Achei engraçado. Fiz até um pequeno desenho - na verdade, tentei. Ah, tudo isso aqui tá muito prolixo. Pro lixo.


- Uma hora todo mundo tem que morrer mermo. Os homem agora é tudo tomando viagra pa trepar com as menininha de 20 anos, pensando que aguenta uma mulher de 20. Aí fica tudo aí, com os coração pipocando.


Ela arrancou todos os tsurus do teto do meu quarto, jogou fora todas as fotos do meu quarto e vai mandar pintar as paredes riscadamente importantes do meu quarto. E eu odeio que toda vez ela encerre o jantar com esse tipo de coisa. Já são pouco mais de 19 anos de conversas fúteis postas à mesa. junto com a comida ultimamente fria. Engulo comida com merda no ar. O cardápio do jantar nunca muda. Macarrão, carne, arroz, salada de verduras, café, às vezes suco de laranja e sempre escrotagem idiota. E o pior é que eu não tenho frescura nenhuma com putaria. Sobremesa? Sair da mesa. A humanidade em si é uma putaria mesmo. Puta, ria. Rio não. Nem rio, nem mar, nem lago, só nado. Faço nada. E tem mais, adoro nadar.

- É, essa cachorra tem uma boca mais limpa do que uma boca aqui nessa mesa. A boca dela não lambe rola, não. A boca dela é mais limpa do que uma boca aqui. Cada um que entenda. E o terapeuta é seu? É? Pois enfie o seu terapeuta no fundo. Pode enfiar no seu rabo.


Pronto, agora sou um germe, uma larva, sei lá, um tapuru? E eu adoro meu terapeuta, mesmo. Ele consegue me escutar falar ininterruptamente e sempre é possível vislumbrar-lhe na cara uma ponta de interesse pelo o que eu falo. Se eles não me aceitam como sou quem tá perdendo são eles? É, pode ser, mas eu também perco. Aliás, a palavra nem seria 'perco'. Não tive nada e consequentemente não perdi nada. Isso. E agora? Agora, que na próxima sessão de terapia terei muito o que falar. O psicólogo não vai mais conseguir aguentar minha fala cacófata e minhocada, cheia de onomatopeias. Vou dizer que vou sumir, que pelo menos o terapeuta vai tentar entender o porquê. Meus porquês. Que porcaria. E por falar em psicólogo, a onomatopeia perdeu o assento e por causa disso ficou sem o agudo no 'e'. Ah, e vou dizer também que fiquei triste por causa da exclusão do trema. E porque minha mãe mandou eu enfiar meu terapeuta no meu rabo.



- Não quero assistir o dvd de Michael Jackson, não. Não sei dançar.


6 comentários:

Kamila Zanetti disse...

andei fuçando aqui,lendo e lendo.tudo muito bom.mas hoje esse aqui me surpreendeu de uma tal forma.precisava ler isso!

Nanda disse...

ana cristina e clarice
uma do lado da outra

nao tem coisa mais linda!

ps: caio talvez tenha ciumes!!

amei teu blog! tuas palavras aqui, tuas cores, teu modo como escreve!
volto mais vezes! disso, tenha certeza!

beijo meu

Junior disse...

gostei... bem forte

Maybe your best friend. disse...

Tinha que vir falar que voce escreve muito bem...
Parábens.

Até

Assionara Souza disse...

youl, berygood

vou voltar e ler melhor, essa passagem que eu tenho aqui é só meia, do asteróide numero 2345432345


=D

n.

Anônimo disse...

hahaha!


a exclusao do trema.

ele tem que entrar num programa de inclusão, agora. ...

uhhh


n.