quinta-feira, 23 de julho de 2009

Embora você foi

- Às 4h30 da manhã nunca se espera muita coisa, ou coisa alguma. De repente, vejo-me às voltas daquele dia, o dia em que começamos a namorar, mesmo sabendo que o namoro não iria durar muito - mas eu e você, sim. Olhei pela janela os 320km de estrada até você e percorri todo esse caminho nas folhas escritas de nós dois, folheei as páginas em sentido anti-horário: dois anos atrás. Lembro-me do nosso primeiro beijo, tua saliva misturando-se com a minha, essa saliva que está presente em todos os beijos surrupiados de minha boca - já não os dou, levam de mim. Lembro do surto de felicidade transbordando em lágrimas; das tuas mãos vindo em direção aos meus olhos, afastando qualquer coisa de ruim. Não era pra você ir embora. As palavras que viravam gestos, que apenas de gestos lembro... e um gestopergunta. Quer namorar comigo? Revirei as páginas do meu caderno preto de folhas brancas, quase inutilizado, tornei-o útil às 4h35 da manhã. Sonhei contigo. Me acordei com muita saudade de tu. Lembraste de um sonho que tiveste de nós dois, nessa hora estavas com ela? Ou comigo? Foste aquele que tirou a minha virgindade sem ter efetuado o ato, levaste-a sem saber - eu sei. Meu menino homem capiberibe, não me mate dentro de você. Senti amor, contigo fiz amor e guardo-o até hoje em meu coração - que ainda chora lágrimas de sangue verde vindas do encontro dos nossos olhos. Foi massa. Beijão. Espalhei tuas fotos pela cama... e dormi contigo. Eu nunca fui embora.

6 comentários:

d.dilettoso disse...

o ralo. AHAM.

Marcella B. disse...

Ficou lindíssimo.

A. disse...

Espalhei tuas fotos pela cama... e dormi contigo.

Madame disse...

Ah... Se pudéssemos escolher a hora que as coisas acabam....

Joani Litiery disse...

Esse texto me deixou nua...
Bem na condição em que me vejo.

Glamelle disse...

Esse texto me deixou nua...
Bem na condição em que me vejo.