segunda-feira, 4 de maio de 2009

Me Deixe Só - Maysa

Tira tuas mãos de mim!
Embora goste tanto do tato entre nós dois.
Gosto da maneira como delineias com teus dedos a minha boca. Seguras-me como se me protegestes de qualquer coisa.
Beijas-me como se eu fosse tua, toda tua. E sou.
Sou tua, tua e de muitos outros que já passaram na minha vida, de poucos que passaram no
meu coração - agora já cansado.
Deves perguntar-te porque diabos passo tanto tempo apenas olhando-te, calada.
Não percebes?
Não me lês?
Olhando-te percebi que te tenho cuidado, embora tantas vezes te dirija olhares de despedida...
Despeço-me de ti em cada olhar.
Não sei até quando tentarei levar-te comigo.
Porém, vens comigo.
Sim, vens comigo, mas não como deverias vir...
E pode ser que, talvez, de repente eu tenha que deixar-te.
Deixar-te para outrem, mesmo sabendo que invejarei a tua próxima por ter-te, por querer tua constância, por querer teu carinho, teu abraço, teu amor, sempre tão constantes em ti... por querer-te sempre e sempre.
O que eu não quero.
Dói.
Quanto estou ao teu lado, sinto que não deveria te abandonar, me dá vontade de reconstruir teu coração - também aos cacos.
Dói em mim a tua dor dissimulada.
Dói em mim saber que encontro-me juntando os restos do teu coração para que um dia talvez eu te abandone, deixando-te para outro alguém reunir novamente os cacos de mais um amor frustrado, dói que te cause isso só para poder reconstruir meu coração, já tão castigado...
E em cada olhar há uma despedida.
Tira tuas mãos de mim!
Quero-te, porém, distante, intocável, inefável...
Porque melhor te amarei quando já não me amares mais...
E eis que ao delineares minha pele, sinto-me bem.
Porém, não me abandones!
Deixa este fardo comigo.
Deixa as conseqüencias comigo.
Talvez um dia eu sinta a tua falta.
E nesse dia...
Eu invejarei a tua próxima por ter-te perto.