terça-feira, 30 de junho de 2009

Devagar... divagando

Me acordei no meio da noite. Queria estar contigo, agora e em outras horas. Tô com saudade. É, eu também. Isso meio que me assusta, sabe? Merda, eu podia estar contigo agora. Peguei um livro e fui ler. Tem lápis pra colorir. Colorir um monte de folhas em branco que deixei escritas em branco naquele meu caderno preto, já mofado. Acendi um cigarro. Já te disse, né? Gosto de ver o rumo que a fumaça toma. Gosto de ver desenhar no ar as suas (in)conseqüentes linhas não-assimétricas. Que droga! Naquele dia eu tava louca. Fluxo de consciência. É esse o nome pra isso, né? Caíram as cinzas. Sabia que as cinzas iam cair enquanto eu escrevia. Do 'me acordei' até 'eu escrevia' já foram três. Vou escrevendo e guardando. As palavras têm sua hora. Às palavras, a hora. Tudo. Queria estar contigo agora. Tô perdendo o show de Zé Ramalho. Fiquei por aqui. Sentir o ar de João Pessoa é meio que te sentir. Mas eu tô contigo agora. Estás comigo, agora. E lá se foi quase uma carteira inteira. Depois das tuas palavras alcoolizadas, conseguiria dormir. Guardei o origami. Adorei a ligação. Preciso de um cinzeiro.

Querida

Mãe,
olha bem,
olha.


,
vê a
tua
filha


E
,
vê com teus olhos,
porém, olhos renovados;


porque se não a veres
agora,
talvez,
em breve,


a verás batendo asas,
voando
ao longe


- de
ti.