quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Neoliberalismo sentimental

Caro coração,
Do copo que bebestes guardei o copo, teu abraço agridoce, tua saliva, meu pranto e teu corpo. Hoje deito-me num mar de espinhos, de águas salgadas caídas de um rosto. Meu corpo, meu rosto. A tristeza agudou-se, as palavras minguaram. Chegaste triste, saiste contente. Levaste de mim toda a alegria; que a felicidade em mim não existe. Tu Floripes, eu João dos Ais. Vens como a primavera: minha alma floresce na tua presença; vais embora e pouco a pouco volto a ser outono: morrem em mim todas as flores. Caem todas as folhas, todas as folhas passíveis de serem escritas. No copo que bebeste guardei minha mágoa, transbodando em cinzas. Domingo fui flor, hoje sou folha caída. Meu Estado é o meu estado de espírito e ainda me dói o sabor das tuas costas em minhas mãos. Encontro-me num estado agudo e obtuso de frustração: da dor da evasão das tuas palavras, dos espinhos das tuas costas no meu corpo, no meu coração. No meu corpocoração. Quantas vezes precisarei pagar uma morte pra renascer no teu amor? Caro coração...