quinta-feira, 17 de junho de 2010

Aos pedaços, às pétalas

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e de tanto sorrir, de tanto chorar,
de tanto sentir
a rosa murchou,
quando acordou, murchou, corou,
chorou - por dentro
resolveu que não estava resolvido
que não estava resolvida, mas resolveu alguma coisa
resolveu que havia dúvida,
e dúvida, amor
não é amor.

amor é o que enche os pulmões,
é o que alimenta o estômago
que eleva a alma e move a carne
não é amor o que não preenche por inteiro
o que não alimenta a barriga
não enche os pulmões
não cantarola música nos ouvidos
não é amor a dúvida
não
é pendência
prisão
sequer vida
é dívida
que o amor deixou
e nesse pedaço de mulher que sobrou
de cada amor que me
estraçalhou
que me
roubou
e roubou-me
há uma mulher por inteira
há uma mulher inteira
uma mulher em pedaços
um pedaço de mulher
.
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4 comentários:

Luana Gabriela disse...

Nossa, que texto lindo!

Achei o jogo de palavras muito interessante.

Lindo!

Bjos

CArina CAmila disse...

todas nós temos pedaços sendo deixados por ai..
e o amor e a cada amor.. temos que construir cada pedaço de novo.

Vitor disse...

Eu descobri a duras penas que sem pessoas por inteiro não se constrói o amor. Esse papo de outra metade é pura balela.

Amor é conviver e vencer a dúdida todos os dias. Muito confundido com a paixão, que de fato não tem dúvidas, mas é passageira.

[é, estive sumido. Espero retornar em breve]

Daros disse...

Gostei muito do texto, e talvez mais ainda do segundo paragrafo desse comentario daqui de cima.

Mais verdade, impossível.

Nunca abri esse blog sequer uma vez para me arrempender em lê-lo. Parabéns :)