domingo, 25 de julho de 2010

Ora

Muito estranho que eu esteja mais uma vez deixando-me levar pelas circunstâncias e pelas mãos de outro e não saiba falar sobre. Não seria bem pelas "circunstâncias", nem pessoa seria a palavra adeqüada. Muito estranho isso de encontrar-me corajosa, encarando, aliás, caminhando lado a lado com o amor e em uníssono arder apaixonada e não saber palavrear sobre. É quase, e talvez não seja quase mas sim totalmente, como se meu lirismo por ti ainda estivesse magoado por um dia teres feito com que eu tivesse que deixá-lo. É. Assim, abandoná-lo. Talvez até mesmo assassiná-lo, embora não sem uma ponta de sentimento de martírio, onde eu mesma era mártir junto com o cordeiro do meu lirismo - e o meu amor, meu próprio amor e meu amor próprio: a faca com que degolarias nosso pescoço. E o sangue jorrava em forma de poesia, até esvair-se todo e virar pó, pó que voou por sobre a serra, descendo, até chegar ao mar e ali afogar-se: terminar de morrer, já quase um suicidar. Olha, penso mesmo que foi isso que aconteceu que fez e faz com que eu não consiga escrever sobre o que tenho e estou sentindo. Lamentável, quiçá. Mas, ó, saiba que eu te quero. Tenho guardado até hoje uma pulseira que um dia tiraste do teu pulso e puseste no meu. E nunca esqueci do que escreveste na minha parede. No Marrocos e no meio de toda aquela caligrafia de desenho eu vi teu nome em letras latinas, como quem vê achando que não vê por acaso. Quero-te muito. Enquanto já quase não nos falávamos mais, em Verona eu escrevia nossos nomes na casa de Julieta. Na Fontana di Trevi eu, de costas e com a mão no coração, joguei duas moedas: uma pra voltar a Roma e outra pra voltar pro teu amor. Na segunda moeda só me veio teu nome, mais bem quase prostei-me ao teu nome como quem por querer entrega-se ao seja o que for. Eu pensei em ti. Além, coração, eu te quero muito bem, e, quero-te, também, perto de mim, sempre que puderes e até quando não puderes. Que eu, apesar de tudo, de todos, e até de mim mesma, te amei mais uma vez novamente.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Algoz

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nunca quis que o amor fosse perfeito sempre quis que o amor fosse perfeito.
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o amor é uma farsa.....................................................mas o amor é uma farsa
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uma armadilha...........................................................................uma armadilha
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uma arma.......................................eu.................................................uma arma
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e uma.....................................uma arma...................................................e uma
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ilha....................................................e...........................................................ilha
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ilha...............................................o amor......................................................ilha
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e uma........................................................................................................e uma
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uma arma...........................................................................................uma arma
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uma armadilha...........................................................................uma armadilha
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o amor é uma farsa......................................................mas o amor é uma farsa
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nunca quis que o amor fosse perfeito sempre quis que o amor fosse perfeito
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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Break Me Gently

- Estava passando a vista em algumas fotografias até meus olhos atentarem para uma em especial. E veio-me toda uma trilha sonora aos ouvidos - a música dançava comigo, sendo que eu não dançava, nem dançava com a música. Havia na foto uma menina, sentada, os cabelos quase longos, entrançados. Ia de branco, e a alma, abraçada. O rosto levava uma expressão de quem está contente com o que tem, o sorriso não mostrava os dentes, as mãos cruzadas acima do joelho, a menina recostada num banco, a menina com cara de rotina, mas com cara de quem apreciava isso. Naquele sorriso, que eu classificaria de doce, ela sorria toda - sem querer só rir. O vestido era longo, e era branco de uma brancura que tudo ficou branco, puro e inocente; que tudo ficou sonho, o sonho que ela nunca tinha sonhado, uma vontade como ela nunca tinha tido até então. Tudo ficou círculo, e círculos não têm fim. Não era um começo, certamente. E, também, não era o fim. Era o meio. Era quando a menina achava que tudo seria sempre meio, caminhada, nunca o fim. Ela tinha muito querer no coração. Sabia que queriam-se muito. Sentia que queriam-se desde muito antes, muito antes mesmo de se conhecerem - sem saber. Os fatos, até para céticos, tornaram-se fatos mágicos. Não mágicos no sentido daquele que faz mágicas, porque essas no fundo alguém sabe como acontece, mas mágicos no sentido de inexplicáveis, como um céu no nascer do sol parecer ter sido especial e minuciosamente pintado à mão por Michelangelo. Um céu que parecia sorrir, nuvens que pareciam abraçar. E o sorriso que carregava a menina era um sorriso de complacência com o rumo que as coisas tomavam; de desgustação para com o movimento da vida e de como as coisas, cada coisa e cada uma a seu tempo, iam tomando assento - e uma ponta de surpresa. Era um sorriso de condescendência para com o amor. A menina tinha no brilho dos olhos, como bem poderia dizer Fernando Pessoa: "Todos os sonhos do mundo". A música parou de tocar. Todo mundo tem uma música que lembra alguém. Eu tenho as minhas músicas, e, escutando uma música que um dia foi acompanhada por um pronome possessivo no plural, mas que nunca chegou a ser ouvida pelo nós, não pude deixar de lembrar da menina-do-sorriso-doce-e-rotineiro da foto e de como ela saiu feliz após jantar no Mc Donald's. Nunca tinha imaginado como a vida tiraria-lhe o assento de outra vida - até em outra vida. Bem verdade que verteram lágrimas os meus olhos. Mas não fui eu que chorei, foram só meus olhos - e debatiam-se os cílios. Somos lost souls...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Ensaio sobre o amor V


'Quando se apaixona é uma loucura temporária. Ela surge como um terremoto e depois se acalma, e quando se acalma você tem que tomar uma decisão. Ver se suas raízes ficaram tão entrelaçadas ao ponto de ser inconcebível se separarem. Porque isso é o que é amor. O amor não é a falta de fôlego. Não é a excitação. Não é o desejo de acasalar a cada segundo do dia. Não é imagina-lo beijando cada parte do seu corpo. Isso é estar apaixonado. Amor é o que sobra quando a paixão se consumiu.'

Te amo, xuxu! Embora me encontre loucamente apaixonado! "


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Via-se.
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Eu te amo. Casa comigo. Fica comigo pra sempre. Eu te amo mais.
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É o fim de tudo isso. O fim das juras de amor. O fim da eternidade.

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Você é tudo o que eu poderia desejar e mais um pouco. Você é a

mulher da minha vida. Não é apenas um fim, é onde todas as

declarações de amor e todos os momentos vividos sob a lua não passam.

Te amo demais. Quando o sol parou de brilhar. É onde ficam, só.

Sustenidos. Ficam sustenidos. Ficam ali, de onde não hão-de passar.

Quando um provável futuro pára no presente e relega-se ao passado. É o fim.

O fim é aquilo que chega e deixa com que o passado

que nunca foi passado tome o lugar do presente.

Deixa que o presente vire passado e o futuro um presente amargo.

É quando e onde o mar quer se afogar.

É o fim. Quando o infinito pára, o eterno morre - e o coração chora.

Quando tudo se vê bruscamente diminuto.

Me ama pra sempre. Ich liebe dich, mein Schatz.

O fim não é o fim. O fim é apenas um começo. Um meio. Me abraça

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Maio de 2010