sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Pretinha

Mariana, lua morena de lábios carnudos e sorriso maroto, chora. Chora Mariana, e chora pro teus olhos chorarem. Chora até que chore também a tua alma. E, chorarás tu, teus olhos e tua alma. E o pranto há-de encobrir teu corpo fazendo-te sentir frio, e a tristeza te tomará por morada. A solidão não te deixará sozinha, e tu talvez hás-de querer não mais existir. Chora, mas não chora o teu choro. Chora o choro que não chorou o que te fez chorar. E chora: como se as águas salgadas quem saem dos teus olhos fossem mar. Chora, como se esse mar afogasse o que te fez chorar o choro que o que te fez chorar não chorou. Chorarás tu, teus olhos, tua alma e teu corpo. E as lágrimas serão lágrimas de sangue, de sonhos, de pele, de dor - de amor. E de tanto chorar, tua alma um dia secará, fazer-se-á sertão. E o sertão não cansa de sonhar, de um dia não ser mais sertão não.

5 comentários:

Nicolau Ponte Preta disse...

Olá td bom estou divulgando este documentário se puder assistir, vale a pena, obrigado.

http://nosolhosdaesperanca.blogspot.com/

Resenha:
Jânio é um rapaz de vinte anos que foi preso na orla da praia da Cidade de Praia Grande confundido de fazer parte de um grupo de jovens que promoveram um arrastão. Mesmo sem provas ficou preso durante 11 meses. Leide e Francisco a mãe e o pai de Jânio precisaram lutar para provar a inocência do filho, enfrentando a principal dificuldade que esbarra num problema social ainda não resolvido no Brasil.

"Ser pobre é ser culpado até que se prove ao contrário?"

Maria disse...

Vou chorar, chorar e chorar. Também quero um sertão de sonhos.

[saudades!]

meu beijo

Julia Malaguti disse...

isso me lembrou tanto Graciliano. fiquei estarrecida. Parabéns.

Del disse...

Sou sua fã!

Vitor disse...

[...] cansa de sonhar com a água doce que cai dos teus olhos.