quinta-feira, 4 de março de 2010

Ensaio sobre o amor I

Não se conheciam até então. Começo de ano, algumas coisas começando literalmente, a maioria só prosseguindo. Ano novo nem é ano novo. É um ano velho com carapuça de novo e vem pra enganar as pessoas com os segredos que o futuro nos guarda. Ludibriando-nos com as possibilidades de um futuro bem melhor que o passado e o presente. O ano novo é apenas mais um presente. O ano novo é a mesma coisa que o ano velho, só que o ano novo é um presente novo, onde o passado sempre está presente - sorrateiramente. Cada novo dia, sim, é um ano novo - ou pelo menos uma possibilidade de modificar todo um ano em um dia novo. Enfim, algumas coisas continuando, outras coisas, novas, chegando. Pessoas, oras, também. Não se conheciam até então. Obviamente, ela proferiu as primeiras palavras. Ei, tu tem um cigarro? Tenho. Por que tu não fala com ninguém? E a conversa acabou nessa espontaneidade, se assim se pode chamar. Como obra de um destino um tanto malvado com algums pessoas, esses dois, tão opostos quanto dois lados, um positivo e outro negativo - porém, tão anulavelmente uníveis quanto - acabaram, a despeito da conturbada rotina e do tão provável futuro decadente, se juntando. Quer namorar comigo? Quero.