quinta-feira, 1 de abril de 2010

A Confissão II

Nunca te quis, nunca sequer pensei em ti. Todas as vezes que quis ir mais rápido do que o carro podia e, sim, voar os 120km que às vezes nos separam, todas essas vezes que desejei chegar o mais depressa possível: não foram por tua pessoa. Sequer um dia imaginei-me contigo! Oras, contigo? Nunca! Tinha apatia por ti desde o dia em que vislumbrei teu rosto. Sabe aquele dia que eu te pedi um cigarro? É... só pra puxar conversa mesmo. Olha, isso não passou de uma mera tática minha pra não parecer mendiga de cigarros alheios, daí enrolei um pouco, dei uma de simpática e te deixei com um cigarro a menos na carteira. Mais: depois que apareceste em minha vida, tudo continuou aquela mesmisse. A casa já não é a mesma. Odeio chegar em casa e sentir teu cheiro, odeio acordar pela manhã e ver o tapete do banheiro fora do lugar. Sinto asco até pela tua sombra. Vou jogar fora esse ovo de páscoa que me deste. Depois que entraste na minha vida eu desisti de um dia me casar e ter filhos e todo o blá blá blá e as conseqüências de se casar e ter filhos. Também desisti de envelhecer ao lado de alguém: decidir ser uma velha nova, daquelas lipodadas, de olhar meio oriental como um resultado das plastificações em prol da estática da idade. Olha, vou te dizer a verdade. A verdade é, sei que não vai doer: não quero mais te ver, nunca mais. Abdico de ti como quem abdica de fazer qualquer coisa na manhã seguinte a um porre: sem qualquer hesitação, sem qualquer esforço. São quase seis horas da manhã e tudo o que eu fiz desde que, para minha felicidade, saiste por essa portinha aqui de casa foi não pensar em ti ou em qualquer coisa que esteja relacionado contigo. Ah, não tranquei a porta de propósito. Quanto à verdade... a verdade é que já não te quero mais, nunca mais hei de querer-te. Estarei melhor só, comigo e não mais só. As coisas fazem mais sentido assim e tudo o que eu disse e disser aqui não deverá ser considerado pelo avesso. Desde já não penso em ti, nem pensarei. Teu nome nunca ousarei proferir mais uma vez. Teus gestos nunca sequer me fariam falta, teus abraços... repudio-os! Prerifo o frio entre os braços que já não se encontrarão. O vento e sua falta de destino: a falta de caminho. Prefiro preferir não querer-te mais, nem mais. Nunca te amei, nunca te quis. Não te amo. Feliz dia primeiro de abril, des(amor).