terça-feira, 18 de maio de 2010

Dos contrários

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Ela era ilimitada, sem limites. Ele limitado, com limites. Uma pessoa sem limites pode até suportar um limite, mas um limitado... suportaria o infinito?

Ela é nuvem, estrela, é lua; ele terra, pé, concreto. Ela sonhos em demasia, ele sonho-pé-no-chão. Escuta música enquanto estuda ao mesmo tempo em que atende o telefone e pensa em outra coisa, em outra pessoa. Lê um, dois, até três livros em um mesmo período de tempo. Fala isso e aquilo entra sem contexto no contexto. Ele lê e só. Assiste e só. Conversa e só. Coerente, lógico, ordenado. Ela quer o mundo, abraça as longitudes com os pés, as mãos e o coração. Quer viver voando, correndo, sentindo. Ele quer o pacato, o sóbrio, o ficar. Ela, o incerto. A vida como um copo transbordando álcool - qualquer que seja. Ela impulsiva, intensa, inconstante, ele constante, rotineiro, sereno, brando. Ela luz ele, sombra. Ela sombra, ele luz. Yin e Yang. Lua e Sol. Verde e preto. Ela passarinho que pensa que vai passar, ele peixe que não quer sair do mar. E nada disso é problema, não. O problema é que se amam até demais - ou pelo menos assim o pensam.
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13/04/2010
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