quinta-feira, 17 de junho de 2010

Aos pedaços, às pétalas

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e de tanto sorrir, de tanto chorar,
de tanto sentir
a rosa murchou,
quando acordou, murchou, corou,
chorou - por dentro
resolveu que não estava resolvido
que não estava resolvida, mas resolveu alguma coisa
resolveu que havia dúvida,
e dúvida, amor
não é amor.

amor é o que enche os pulmões,
é o que alimenta o estômago
que eleva a alma e move a carne
não é amor o que não preenche por inteiro
o que não alimenta a barriga
não enche os pulmões
não cantarola música nos ouvidos
não é amor a dúvida
não
é pendência
prisão
sequer vida
é dívida
que o amor deixou
e nesse pedaço de mulher que sobrou
de cada amor que me
estraçalhou
que me
roubou
e roubou-me
há uma mulher por inteira
há uma mulher inteira
uma mulher em pedaços
um pedaço de mulher
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In possibilidades (II)

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Creio que já não posso escrever
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Só posso sentir
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