sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Pretinha

Mariana, lua morena de lábios carnudos e sorriso maroto, chora. Chora Mariana, e chora pro teus olhos chorarem. Chora até que chore também a tua alma. E, chorarás tu, teus olhos e tua alma. E o pranto há-de encobrir teu corpo fazendo-te sentir frio, e a tristeza te tomará por morada. A solidão não te deixará sozinha, e tu talvez hás-de querer não mais existir. Chora, mas não chora o teu choro. Chora o choro que não chorou o que te fez chorar. E chora: como se as águas salgadas quem saem dos teus olhos fossem mar. Chora, como se esse mar afogasse o que te fez chorar o choro que o que te fez chorar não chorou. Chorarás tu, teus olhos, tua alma e teu corpo. E as lágrimas serão lágrimas de sangue, de sonhos, de pele, de dor - de amor. E de tanto chorar, tua alma um dia secará, fazer-se-á sertão. E o sertão não cansa de sonhar, de um dia não ser mais sertão não.