domingo, 27 de novembro de 2011

Sobre o que não há palavras que definam e estilhaços

Querido,

    Antes que me interrompas com antecipadas e equivocadas intervenções, brotada dos recentes vendavais que se-nos enraizou há tempo já considerável, esta flor que vos fala decidiu, através desta, contar-vos uma estória que poderá como história aos vossos ouvidos soar...
    Em tempos não muito idos, havia uma menina, aquela menina altiva, de olhos grandes e verdes, e brilhantes e que brilhava toda, e essa menina conheceu... um menino. Um menino com sabor de aventura e Bob Marley. E tudo foi música e tudo foi pintura, e tudo foi poesia e tudo foi poema - e foi tudo uma alegoria às avessas.
    Não se sabia o porquê do coração em agonia que a menina sentia ao vê-lo sempre por ali. Mal sabia ela que agonia não era, presságio pudera, do que inda estava por vir.
    Vezenquando encontravam-se, olhares por vezes trocavam-se em perguntas caladas por que se alçavam tamanho mistério e indagação? Por que ao olharem-se com curiosidade calados perguntavam-se por que tanta olhação?
    Mas eram pequenos os espaços por onde descalços podia andar seu coração.
    E assim num silêncio eloqüente deitava-se a noite dele perguntando a menina em oração. Deitaram-se sóis, brilharam estrelas e a menina lua por aí continuava a andar, até que um dia mal sabia a menina que curiosa ironia se-lhe estava por primeiríssima vez passar.
    A menina chora porque naquela hora seu amor resolveu deveriam se afastar. E na mesmíssima hora o menino também chora porque sua amada por seu amigo resolvera lhe deixar.
    E então veio o beijo e os dois se abraçaram e os dois se beijaram e se puseram a cantar. E ao cantar a vida adquiria o sonho que se perdia ao do antes lembrar. Só que o canto era sem alarde e já anunciava o covarde que no ano após a saudade o menino viria a ser.
   Os dois se despedem, não pedem que se esperem e na pele dele ela escreve "soneto da separação". E a menina vai embora, já lá em cima chora, deixara apenas abstração.
   Quando ela volta os dois se encontram, ah, satisfação. Quantas novidades trazes? Que agora fazes? Ela é uma opção. 
    Mais uma vez, o beijo. E foi tanto carinho, foi tanta amizade, foram tantas palavras e dela tudo tanto que ela nunca via e sequer alguém a verdade lhe dizia. E foram tantos os abraços, as risadas, os afagos, muito embora tudo em vão. O menino outra tinha e à menina mantinha apenas por diversão. Quando a menina descobriu já estava tudo feito, já estava tudo perfeito, num havia espaço pr'ela mais não. O menino pra quem tanto guardara amor, descobriu sozinha ter sido covarde. Que consideração.
    Na frente dele muitas vezes questionou, muitas vezes lhe indagou por que tanta falta de afeição? Ao que ele respondeu com acessória delicadeza, que a menina de tanto mostrar de tanto gostar de tanta pureza não conseguiu ele a proeza de a ela também amar. Diante de tal destreza, escondendo o rosto e escancarando a tristeza, pôs-se a menina a chorar. 
    Para si mesma baixinho repetiu há de chegar o dia em que direi para outro o que antes te dizia.
    Assim, realmente, foi. Até que um dia, pela segunda vez, por curiosa ironia, cruzam-se os dois outra vez. Ela não chora porque naquela hora seu coração implora daquele novo amor se libertar. Ele mais uma vez na mesmíssima hora também não chora porque acabava de uma nova amada se livrar.
    E então os dois deram-se as mãos e foi tanta afobação que lentamente puseram-se a deitar. E todo o mistério envolto nos olhares que costumavam trocar foi-se despindo até se desvendar...
    O mundo perdeu todas as cores e todos os amores passaram a ser apenas amores. E ele foi seu sonho acordada e quando dormia ela constatava: que as cores e o perfume de todas as flores andava ele a roubar. Por fim, que primor, o sentimento enfim chegou - quando tinha que chegar. Não era amor, era mais que amar.
    Foram tantos os devaneios, os planos os passeios, as esperas os anseios de na cama mais uma vez se atirar. Quando se uniam os corpos eram tantos os deleites e tanta pujança e tanta vontade, ela pôs-se a recordar, íntimamente sempre reconheceu que ele só seria seu quando fosse ela sua e quando se unissem os corpos não haveriam os homens de os separar.
   E foi tanto amor e foi tanta paixão e foi tanta razão que os dois enfim puseram-se a sonhar.
    Ele foi pra ela a própria poesia e depois dele nada mais bonito pôde a menina escrever. Eles eram o próprio poema, e ela pra ele não sei o que foi já que começou a chover...
    De repente durante os fogos já não se viam os mesmos retratados nas fotos quando apenas em olharem-se sorrisos genuínos costumavam tecer.
    E os ventos sopraram fortes e os dois perderam o norte que um ao outro costumavam ser. 
    A união dos seus corpos já não era só deleite mais estava para enfeite do que já carecia renascer. E tudo que foi tanto amor e tanta paixão e tanta razão foi minguando até o sonho desaparecer... Até a árvore que plantaram com tanto amor de tanto desamor pôs-se a fenecer.
    E agora é tanta mágoa, é tanta distância, tanto pesar e tanta dor que talvez haja apenas espaço para a petulância de nenhum ardor, pois nessa estória em que tudo o que um dia viveu e sorriu e adormeceu e feneceu, foram ela e ele um só autor.
    Talvez, quem sabe, o mundo compreenda e o dia em paz resolva amanhecer.



P.S.: E assim, calo-me, que o meu silêncio traga a importância das inúteis palavras que proferi, mas nunca falei.











2 comentários:

Daros disse...

Não vou falar muito. Vou só dizer que gostei do texto, do modo como foi escrito, independente da inspiração.

Que possas escrever mais, sobre outras coisas talvez. Escreves bem, menina.

Mais sol na tua vida.

aaluah disse...

E terias algo mais a falar? Não te acanhes.