sábado, 10 de dezembro de 2011

Lavanderia

Eu escrevo e me lavo o que
com água não se pode limpar
eu me escrevo e te escrevo
e nos lavo as roupas sujas
que cuidamos em sujar
estendo-as no varal à minha vista
te estendendo a minha vida
pra que não venha a chuva e as molhe vez mais
espero o sol quente secá-las
pra então ver tudo branco outra vez
limpo mais uma vez
vagarosamente e com cuidado recolho-as
imaculadas como as nuvens
leves levo-as pra dentro de casa
limpas dobro-as e guardo-as
e assim de roupas faço-me
esperando a que venhas tu sempre tu
uma vez mais perfumá-las e quiçá sujá-las
pra que eu inda salgada com o corpo nu
das roupas que me as despem tu
mais uma vez nos tenha que lavar de novo


15 de maio de 2011