domingo, 23 de dezembro de 2012

De no hallar (Inesperimento I)




não há lar

quando não amar

toma dimensão feito mar

enche nossos pulmões como ar

o passarinho outra vez a nos rondar

é a poesia sempre solícita a contar

que o que nos falta para transbordar

nos está a inundar


com o que nunca nos afogou.








Verbete:

Inesperimento: antônimo de experimento em alusão ao antônimo de esperar.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Jogo de soma zero







nessa luta pela       tração 
                           sub 
                                             do pudor,
m
- eu 
- amor, 
só resta 
                                                       dor.




quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Dos sete que são oito (I)

Recado que se datou em 12 de setembro, que deveria ser entregue em um dia 1, mas que só hoje 21 a ti o dedico e a soma dos 7 anos que este ano completamos e contemplamos








As coisas não se despe    çam de vez.
                                   da

Vão-se despe    çando de vagar
                     da                         inho ,

Até que          haja         um inteiro,
              não          mais

só o       pe
       s         daços

      ele
d

peda     s de 
        ço         um    
                            in
                               tei
                                   r
                                o
                                   s



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Do sol e só risos

João Pessoa,          22 de outubro e 12 de novembro do ano de 2012


,



[sorrisos]
[mais sorrisos]
[uma hora depois da tua carta ainda estou sorrindo]
[só risos e mais sorrisos]





                                                                       Tua,        

                                                                                .


P.S.: escrevo em uma folha de papel de um caderno com o qual costumo conversar, conservar e com versar; talvez não o conheças, e é provável que não, mas muito já ouviu falar de ti: és nele presença habitual e constante - e quase única - em um caderno de folhas pautadas que até antes de chegares tu quase só tinha as folhas em branco. Chegaste, em fim, para um começo (eu a ser tua).

P.P.S.: perdoe-me as poucas palavras (mas não palavras poucas), mas simplesmente mais não as pude encontrar, e não houve nada melhor que sorrir, não esse abrir de boca que vemos em todos os lados, cá e acolá sorri-se trivialmente, mas um sorrir virando as esquinas em mim, correndo as ruas, cintilante e claro, esquentando o corpo, aquecendo a alma, trazendo vida, um sorrir dos recônditos de dentro de mim, até de onde não se crê ser possível vir um sorriso de dentro, enfim desabrochando para fora, como me partindo ao meio e eu sou rio: por ti em mim um incandescente sol ri.

Sobre limites e limitados




"- Você disse isso e isso e isso e fez isso e isso.

- Você deveria ter...

- Você não tem...

LIMITE!"





Não? Às vezes é o que parece. É o que eu pareço: muito ilimitada, muito eu, ou muito limitada a mim mesma? Não sei dizer. Sou eu? (ou, eu sou?). Também não sei responder. Apenas sei, só e sozinha, que sou-me, e, muitas vezes, não me sou como se realmente um não fosse o mesmo, mas estivesse outro. E estive outros, porém, já não os sou, carrego-os, apenas, arrastados dentro de mim, essas pessoas que eu um dia fui e hoje desconheço, e que permanecem em mim porque não têm onde abrigar-se que não em mim, sendo-me carga pesada, e eu, já calejada, não as sinto mais, nem os solavancos que a Caminhada nos insiste em presentear. Que fazer, então, se não posso abandoná-los à mingua? Se a mim me incumbiu a tarefa de me carregar como uma cruz e em Gólgota em mim ser crucificada?





"- Deve ser difícil ser Laura."









(Limite? 
Não tenho mesmo. 
Sou espaçosa como uma samambaia; 
extra vagante em Terra enquanto por aqui durar)








14 de outubro de 2012.


domingo, 11 de novembro de 2012

Da Madurez







 A R D U O

 M U D A R

 D O M A R




terça-feira, 6 de novembro de 2012

Bússola - (In)experimentos




Sou teu apontador:
nos mares sou teu Norte
A Oeste sou tua morte
A Leste tua sorte
Ao Sul sou-te um forte
Em todos um aponta dor.







terça-feira, 23 de outubro de 2012

De começ(ares)




Como começar a falar sobre um começo? Não sei. Ultimamente não venho sabendo de coisa alguma. Tenho estado meramente à espreita, assistindo a tudo e a todos: as coisas, as pessoas e até eu mesma. Curiosamente acompanhando o desenrolar das teias em que me meti, e hoje, mais uma vez, emprego esforços em delas me desvencilhar, entretanto, começo, e começo justamente e de forma justa a falar do que não sei: começo a falar do que estou pra começar; gostaria de dizer que é disso que agora me ocupo: estou mais uma vez começando tudo de novo, e, o mais importante: estou me começando. Tudo é novo, de novo. Um sentido, novo. Um cabelo, novo. Uma caneta, nova. Um livro, novo. Lugares, novos. Novos conceitos; novos pensamentos. Um abraço, de novo. Você, novamente. Descobertas, novas. Eu, descoberta nova. Novas descobertas. Cobertas, novas. Eu, descoberta. Eu, nova. Você, novo. Nós, renovados, nós, de novo. Estou tão-somente e só começando. Começando, apenas. Co-meçando. Já tenho até cheiro de orvalho. Só me resta, então, assistir a tudo à espreita, para que minha presença não me atrapalhe o desencadeamento das coisas, a espontaneidade dos eventos e o encadeamento, também de outros. Presto-me, pois, ao papel de telespectadora do meu próprio espetáculo, onde sou protagonista única, enquanto eu simplesmente continuo, sigo por aí, alguresnenhuresalhures, esquecida de que alguém me olha e me assiste - sabe-se-lá se me julga; e assim, ante os porvires que por ventura ou porventura virão, os por vires que por ventura ou porventura virás e os por vires que por ventura ou porventura virarei, de silêncio faço-me.








Verbete

Co-meçar: alusão de co-autoria. É medir com junto (em união)
uma medida de medição impossível. Variação de 
co-medir: medição sem (co)medimentos.



terça-feira, 16 de outubro de 2012

dezesseis de outubro do ano de dois mil e doze

Foi tudo tão rápido, tão intenso e indefinido. E tudo tão bonito à sua maneira. Foram tantas as inter rogas e ações, que muitas vezes preferi calar. Estava já tudo calmo, e ainda está, até você voltar. Algumas perguntas  calaram, outras, tento silenciar. Algumas respostas foram ditas, outras, porém, inauditas, por medo, vergonha, proteção ou por outro motivo não as pude sacar. Também não sei se gostaria, se gostarias, de escutar. Voltaste, e era tua volta que me faltava; nossa volta. Não sei se novamente ao ponto de partida, se pelo meio ou começo. Talvez, por todos eles. Tinha estado à tua espera todo esse tempo, com esse eu que pouco a pouco se findava, enquanto tu permaneceste intacto dentro de mim. Voltaste, e contigo voltou também uma parte de mim que levaste quando decidisses partir. Voltamos, enfim, que ter sido essa palavra aqui dita apenas no pretérito da primeira pessoa no singular me teria deixado vagando por aí, por muito tempo perdida dentro  de ti.

Voltaste: e eu voltei contigo.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

"Da onda sempre nova e repetida"


Não sei falar muito bem do que sinto que 
está por surgir de dentro de mim. Contudo, 
sinto como se todo esse tempo silenciada
estivesse sendo como quando 
de repente o mar recua, 
abrupto 
e notavelmente; 
ultimamente tenho sentido 
cada vez mais que algo grande já 
está por vir. Sinto partes de mim remexerem, 
inquietas, tentando buscar um abrigo seguro desse desconhecido ameaçador, enquanto eu sigo tranqüila 
e vou à procura de um banquinho para colocar na 
areia e, sentada, pacientemente esperar por aquilo 
que inquieta e aflige a constância e a certeza das 
coisas e das pessoas. Sentada, descalça, com 
os pés na areia e olhos fixos no horizonte 
que vejo à minha frente, e dentro de 
mim, placidamente fecharei 
os olhos. Quando assim 
puder sentir a brisa do 
mar chegando, darei o meu 
último suspiro e, resignada e serena, 
serei levada, arrastada pelas águas com 
toda sua força e brutalidade, para onde 
não saberia eu dizer. Seriam os últimos 
estalidos dos resquícios de respiração na 
superfície os meus últimos vestígios. Ao 
término de tudo, quando mar recuar 
ao seu devido lugar, não restará 
nada: não serão 
encontrados corpo, 
nem roupas, nem alma. 
Ficarei mais bonita na 
forma das linhas 
bailando 
água.




sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Experimento





Não sei ser o que sou

O que sou não sabe ser

Sou o que não sabe ser

O que não sabe ser sou

Não sou o que sabe ser

Sei ser o que não sou

O que sei ser não sou

O que não sou sei ser

Não sei o que sou

O que sou não sei

O que não sou sei

O que sei não sou

Sou o que não sei

O que sei

O que sou

Não sou

Sei ser

Não sei.










terça-feira, 4 de setembro de 2012

Da Mudez





Não é o homem que escolhe a poesia, mas a poesia que escolhe o homem. E ela, que tanto já me escolheu, já não me escolhe mais. Desembainho a caneta, seguro-a em cima do papel e... nada. Não sinto nada, nada me vem, não há nenhuma emoção, não há nenhuma alegria a contar, nem tristeza, nem saudade, nem dor, nem, nem... Pior: não há nada a dizer. Antes, tinha em mim um turbilhão de emoções, sentimentos, choros, alegrias, risos, saudades sempre. Hoje restou-me esse indizível encrustado na alma, essa mudez das palavras. Isso: minhas mãos estão mudas. Talvez seja exatamente isso: elas estão mudas, que é sinal de que algo 'inda está por flores ser.







quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Hello stranger




Sim, recebi o que escreveste, e foi com grande surpresa. E com grande surpresa maior ainda não consegui responder, seja por causa da minha transitória mudez, ou pelo lapso, saliente-se, temporal de dois anos ou mais, a memória é falha, em uma amizade tão bonita e que, entretanto, nem chegou a florescer devido a tempestades fora de época - atípicas. Temporais fora de época, atípicos, no fundo são típicos dentro de uma estatística possível, apesar de pouco provável. E passível também, de causar graves danos à flora, alguns até irreparáveis. Sorte da nossa amizade que nem sequer floresceu ter permanecido semente em uma terra que por ventura e acaso ou o que for que tenha sido que a determinou fértil. E assim de semente sermos vamos. 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Às gotas, gotejando





o que fazer
quando o escrever
já não mais ser
uma cachoeira 
apenas a escorrer
entre as árvores
as folhas e as margens
enquanto 
eu rio
?




      

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Àquele que carrega o nome de quem um dia agradou os ouvidos do filósofo do crepúsculo dos ídolos



política brasileira e politicagem
executivo legislativo judiciário

você
eu e você nunca nós
falhas

você não você
tu indefinido
indefinidamente você


uma aposta
vícios em jogo
o meu, bem explícito

entupir a alma de nicotina
o seu...
sexo

nacionalidade do autor de lolita?
russo, disse eu
não, disseste

apostado!
sinto muito,

russo.
já sabia,

perdeste.
e agora sinto que estás perto de quebrar a aposta neste exato minuto...

- não gostei do que senti, confesso.




Escrevo na escuridão, e ainda posso ver as curvas sinuosas das letras se formando apenas dos movimentos dos meus dedos, das minhas vivências e também das minhas mortes. És caso de vida ou morte. Se partires, mais uma vez morrerei. Que eu tenha que pagar por um erro que tu mesmo cometeste é-me um impropério!

Entenda - ou compreenda: eu te necessito. Estou sendo o mais egoísta que poderia um dia ser. E é necessário que eu esteja sendo assim; é necessário que eu seja egoísta por hoje para te ter sempre - e ter-me em alguém que talvez não me compreenda, mas que ao menos goste de tentar me entender - ou que goste de alguma coisa em mim, ou de mim alguma coisa.

Não direi que um dia te amei. Entretanto e porém: te necessito.

Escrevo na escuridão porque escrevo pra tu. Para o tu dentro de ti que não mais comigo quer estar. E tu mesmo, que despertaste quando se pôs a dormir o sol, tu que te acordaste tarde demais para os dias ensolarados.

Abracei-te forte. Tive medo de encarar teu rosto, tuas confissões enveredadas no olhar, (discretamente) escancaradas. Meus braços quiseram te abraçar.

Tens cheiro de abril - disseste.

E tu tens o cheiro das quatro estações, todas misturadas - assim, indecifrável.

Escrevo como quem não mais consegue escrever. Já sinto a tua ausência, a tua ausência presente. E meus braços quiseram te abraçar forte, bem forte, como quem silenciosamente roga para que nunca, jamais, me deixes, ou fujas de mim - como em meio a um nevoeiro matinal ousaste dizer querer fazer.


Letradamente tua,.








 manhã de algum dia de algum dos meses finais do ano de 2009 para alguém que nunca consegui decifrar e não sei por que nem como aqui me encontrou mas costumava me ler nas horas mais improváveis que conheci nem lembro bem como e que deixamos de nos falar por um questionável e inquietante porque que até hoje não sei porquê. por quê?

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Faltam-me as palavras, embora me sobrem os sentires




leve me          me leve
me leve no pensamento no leve me
no pensamento me leve
pensamento leve me
 me leve
leve





quarta-feira, 14 de março de 2012

Da perdição

na perdição que é-nos a vida, 

e na morte do que por amor nos seria devido,

pessoas aparecem

perdem-se desaparecem

e a gente se perde delas - nelas 

- e elas da gente;

tenho medo de te perder

pois que somos livres

para perder-nos

em qualquer lugar

inclusive,

dentro de outras pessoas;

não quero:


perder-nos, nem

que te percas em outro corpo,

ou 


em outro coração,

que não 

meus.







quarta-feira, 18 de janeiro de 2012














Se não há nada a fazer-se, 
nademos então. 









Esboço de um esboço de mim (Para Guardar)










Não há teto nem chão em mim,
só tento - e nuvens.
Sou, à penas, o que sobrou dos vários dias em que fui-me e sou,
também,
o que está por vir.








quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

De vagar (quase II)













......................ando devagar, 
......................e chego rápido 
......................de vagar, divago 
......................divago, vagarosa 
......................vaga, rosa
......................que é divagar que se vai ao longe