terça-feira, 4 de setembro de 2012

Da Mudez





Não é o homem que escolhe a poesia, mas a poesia que escolhe o homem. E ela, que tanto já me escolheu, já não me escolhe mais. Desembainho a caneta, seguro-a em cima do papel e... nada. Não sinto nada, nada me vem, não há nenhuma emoção, não há nenhuma alegria a contar, nem tristeza, nem saudade, nem dor, nem, nem... Pior: não há nada a dizer. Antes, tinha em mim um turbilhão de emoções, sentimentos, choros, alegrias, risos, saudades sempre. Hoje restou-me esse indizível encrustado na alma, essa mudez das palavras. Isso: minhas mãos estão mudas. Talvez seja exatamente isso: elas estão mudas, que é sinal de que algo 'inda está por flores ser.