segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Do sol e só risos

João Pessoa,          22 de outubro e 12 de novembro do ano de 2012


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[sorrisos]
[mais sorrisos]
[uma hora depois da tua carta ainda estou sorrindo]
[só risos e mais sorrisos]





                                                                       Tua,        

                                                                                .


P.S.: escrevo em uma folha de papel de um caderno com o qual costumo conversar, conservar e com versar; talvez não o conheças, e é provável que não, mas muito já ouviu falar de ti: és nele presença habitual e constante - e quase única - em um caderno de folhas pautadas que até antes de chegares tu quase só tinha as folhas em branco. Chegaste, em fim, para um começo (eu a ser tua).

P.P.S.: perdoe-me as poucas palavras (mas não palavras poucas), mas simplesmente mais não as pude encontrar, e não houve nada melhor que sorrir, não esse abrir de boca que vemos em todos os lados, cá e acolá sorri-se trivialmente, mas um sorrir virando as esquinas em mim, correndo as ruas, cintilante e claro, esquentando o corpo, aquecendo a alma, trazendo vida, um sorrir dos recônditos de dentro de mim, até de onde não se crê ser possível vir um sorriso de dentro, enfim desabrochando para fora, como me partindo ao meio e eu sou rio: por ti em mim um incandescente sol ri.

Sobre limites e limitados




"- Você disse isso e isso e isso e fez isso e isso.

- Você deveria ter...

- Você não tem...

LIMITE!"





Não? Às vezes é o que parece. É o que eu pareço: muito ilimitada, muito eu, ou muito limitada a mim mesma? Não sei dizer. Sou eu? (ou, eu sou?). Também não sei responder. Apenas sei, só e sozinha, que sou-me, e, muitas vezes, não me sou como se realmente um não fosse o mesmo, mas estivesse outro. E estive outros, porém, já não os sou, carrego-os, apenas, arrastados dentro de mim, essas pessoas que eu um dia fui e hoje desconheço, e que permanecem em mim porque não têm onde abrigar-se que não em mim, sendo-me carga pesada, e eu, já calejada, não as sinto mais, nem os solavancos que a Caminhada nos insiste em presentear. Que fazer, então, se não posso abandoná-los à mingua? Se a mim me incumbiu a tarefa de me carregar como uma cruz e em Gólgota em mim ser crucificada?





"- Deve ser difícil ser Laura."









(Limite? 
Não tenho mesmo. 
Sou espaçosa como uma samambaia; 
extra vagante em Terra enquanto por aqui durar)








14 de outubro de 2012.