quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Dos arre(pendimentos)


O que seria o arrependimento? 
Da mera observância da palavra, um facilmente poderia depreender a noção de pendência. Ora, não seria o arrepender-se tudo quanto pendente ao que passou-se - ou não? O arrependimento está ligado ao remorso de ter feito alguma coisa, e, portanto, sucede o feito não raro cumulado com lamentações, remorsos, vergonha e sentimentos conexos. Entretanto, nem sempre está o arrependimento relacionado a um passado concreto, a um feito - ou desfeito. Muitas vezes o ato de arrepender-se, se é que de ato podemos chamar, origina-se a partir de algo que nunca sucedeu, de coisa alguma que nunca teve lugar na vida de alguém ou de algo, daí surgindo o arrependimento pelo o que deveria ter acontecido e, por alguma razão ou na falta desta, nunca ultrapassou os limites da imaginação e dos quereres. Por fim, entre carregar um arrependimento como  carrega-se a uma cruz ou segurá-lo como faz-se a um balão, melhor seria deles olvidar-se, romper com os pendimentos e centrar-se em algo novo: no inaudito, que de arrependimentos nada conheça.



aos dezesseis dias do mês de janeiro do ano de dois mil e cresce treze

Lembrete para minha passarinha






Te amo como a poucos, como há pouco e agora mais do que sempre e mais do que nunca, e agora ainda mais, agora ainda mais ainda: 





Recado a quem por aqui me achou - encontrou seria dizer equivocado - e porventura alguma vez sobre os escritos quem têm cá especulou










Eu sei você a mim por aqui leu e sabe-se-lá se ainda me lê - não você que está a isto ler, mas e sim, Você, que tal recado melhor irá entender.






Sobre silêncios & passados



Calo-me quantos mais forem os dias a passar-me; silencio-me a cada noite dormida, a cada presente que vira passado como estas palavras que estou a escrever, as quais a partir da primeira letra a adiante surgir passado já serão, tal qual a primeira assertiva "é" que se lerá logo a seguir em um breve brevíssimo-íssimo futuro que já se acerca e que terá a duração exata do tempo que eu me tomar e me demorar a escrever a retrocitada assertiva que será presente tão-somente enquanto durar o miúdo miudíssimo-íssimo-íssimo-íssimo-ad-infinitum instante da execução de tal palavra de uma só letra acentuada e só que aparecerá entre aspas tendo seu término o tempo necessário da relação de transformação de futuro para presente e em seguida passado findada com o término da sua caligrafia exatamente no cume do último minúsculo pontinho do traçado da sua acentuação aguda, um futuro que está durando e durará aproximados um minuto onze segundos e um microssegundo, contados, ademais de se feita uma leitura pausada deste, a partir da primeira palavra "assertiva" encontrada neste texto-se-texto-for pois que de onde surge o futuro dessa futura assertiva que será, bem como como já "é" passado - calo-me como tudo: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: 





[Da palavra ''execução" quanto a palavra ''é'': executei-a quando executei seu futuro no momento em que a tornei presente executando também a este quando logo em seguida  vira passado - a quem por quem será executado?]:





vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: vira passado: 






sexta-feira, 18 de janeiro de 2013






Título: Desconheço
Autoria de António Macedo

PAR E SER






PARECE

QUE

PAR É-SE








Libertador



Depois de estar semprenvolvida há mais de três anos, é estranho chegar em casa e não ter ninguém para sequer telefonar.  É um pouco triste não ter alguém pra te receber cansada, ou também cansado, e simplesmente deitar do teu lado na cama, nesta, quase vazia porque só tem a mim e a dois travesseiros um deles inútil, não sei nem porquê aqui permanece se inconscientemente aqui o mantenho na esperança de que chegue alguém que venha a deitar-lhe a cabeçalma&coração ao meu lado, a quem eu, talvez, lançasse a mão em afagos; ou, porém, mantenho aqui a este travesseiro que me ladeia o rosto tão-somente como afronta a minha mais nova solidão? Se o deixo como um retrato e uma ilustração desse novo estarsó em que me encontro, como uma situação a que deva me acostumar? O travesseiro a princípio inútil agora como se de pessoa tratasse me parece estar a dizer vês-hás-de-acostumar-tens-de-vês-em-mim-uma-sozinhez-e-me-projetas-inútil-quando-na-verdade-verdadeira-a-solidão-minha-não-é-tua-e-apenas-tua-sendo.-acostumarás-tu-comigo-solução-outra-não-há-enquanto-isso-não-acontece-serei-um-estorvo-na-tua-cama-exemplo-coisificação-da-tua-mais-nova-solidão-tão-somente-reflexo-da-tua-mais-nova-condição-incorporando-um-estorvo-que-na-verdade-verdadeira-és-tu-que-contigo-à penas-e-mais-ninguém-consegues-te-a-ti-e-unicamente-a-ti-suportar. É incomum voltar pra casa não ter comida pronta ou um tapete fora do lugar pra ajeitar, não ter carta pra responder nem alguém pra telefonar. Não ter sequer alguém em quem pensar. Entretanto: é: libertador: liberta a dor. 




(Dói, mas é uma dor prazer rosa).





de algum dos meses finais do ano de dois mil e doze