sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Libertador



Depois de estar semprenvolvida há mais de três anos, é estranho chegar em casa e não ter ninguém para sequer telefonar.  É um pouco triste não ter alguém pra te receber cansada, ou também cansado, e simplesmente deitar do teu lado na cama, nesta, quase vazia porque só tem a mim e a dois travesseiros um deles inútil, não sei nem porquê aqui permanece se inconscientemente aqui o mantenho na esperança de que chegue alguém que venha a deitar-lhe a cabeçalma&coração ao meu lado, a quem eu, talvez, lançasse a mão em afagos; ou, porém, mantenho aqui a este travesseiro que me ladeia o rosto tão-somente como afronta a minha mais nova solidão? Se o deixo como um retrato e uma ilustração desse novo estarsó em que me encontro, como uma situação a que deva me acostumar? O travesseiro a princípio inútil agora como se de pessoa tratasse me parece estar a dizer vês-hás-de-acostumar-tens-de-vês-em-mim-uma-sozinhez-e-me-projetas-inútil-quando-na-verdade-verdadeira-a-solidão-minha-não-é-tua-e-apenas-tua-sendo.-acostumarás-tu-comigo-solução-outra-não-há-enquanto-isso-não-acontece-serei-um-estorvo-na-tua-cama-exemplo-coisificação-da-tua-mais-nova-solidão-tão-somente-reflexo-da-tua-mais-nova-condição-incorporando-um-estorvo-que-na-verdade-verdadeira-és-tu-que-contigo-à penas-e-mais-ninguém-consegues-te-a-ti-e-unicamente-a-ti-suportar. É incomum voltar pra casa não ter comida pronta ou um tapete fora do lugar pra ajeitar, não ter carta pra responder nem alguém pra telefonar. Não ter sequer alguém em quem pensar. Entretanto: é: libertador: liberta a dor. 




(Dói, mas é uma dor prazer rosa).





de algum dos meses finais do ano de dois mil e doze

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