domingo, 31 de março de 2013

Cem títulos sem nomes cem reticências sem pontos cem vírgulas




às vezes eu não vejo uma pessoa, ao invés disso, vejo um conjunto de pensamentos vários calados intercalando-se a todo instante, risos, dores latentes, cores, possíveis segredos, manias, costumes, possíveis quereres e fantasias e acho tudo isso tão sensual, isso de não ver o que os olhos vêem, digo, a barreira do pele&osso, é tão sensual e me interesso e me apaixono e deixo surgir em mim um desejo quase sexual de me envolver com este amontoado de defeitos&virtudes e ilusões e detalhes de um corpo o qual assisto com aparente displicência e aluadez seus movimentos mais discretos disfarçada com um olhar perdido mas tão encontrado no movimentar da tua boca e em pensamentos além... ou no jeito em que está disposta sua mão e seus dedos a mover-se por entre os meus... tolices minhas... é tudo tão atraente, que me disponho e me cedo a essa emoção e me rendo a envolver-me contigo, forjando uma desculpa qualquer pra me esquecer e esquecer de que na verdade o que estou é a me envolver comigo mesma que metade do conjunto que vejo é o que me está posto tal qual está posta a mesa e a outra metade que não vejo não existe é idealização e sou eu mesma por trás disso posta à mesa por livre e espontânea vontade para que meus quereres me consumam e me devorem feito um animal que come pela necessidade de comer e feito gente que come pelo supérfluo e dispensável, sou eu mesma, humana-animal-meu-pensamento-mascara-minha-classificação-de-bicho-que-sou-e-somos-todos, eu loba de mim sentada à mesa sugando-me a mim mesma por mera liberalidade e aquiescência - quem sabe até mesmo complacência -, note-se a quantidade de me espalhados pelo texto: eu me permito esvair até não sobrar nada, eu me concedo me extinguir - do sujo, surjo, novamente, limpa

domingo, 24 de março de 2013

O universo é grande demais e surpreendente demais para que não haja alguém que escute tudo o que pedimos e outro que execute todos nossos pedidos

Meu Deus, da maneira que te concebo e acredito:
eu te sou por inteira e tu também me és por inteiro, ainda que eu te seja uma parte tão ínfima de ti, como um grão de areia ante todos os oceanos: entretanto, sou-te, não me soltes. Leva-me aos teus caminhos e acompanha-me para que eu não me perca na minha estrada a ti. Não te peço sabedoria, não te peço que eleves minha mente a condição de compreender o que vejo e o que meus olhos não alcançam ver; ao invés de te pedir isso eu te informo: quero aprender, estou disposta a isso. Dai-me, então, aprendizados para que eu possa crescer às minhas custas, dai-me desafios para que eu possa superá-los, e desaprendizados para que eu possa aprender a não desaprender. Dai-me a liberdade para que eu tenha o discernimento do que quero prender. Dai-me prisões para que eu saiba do que quero me livrar. Dai-me um livro que não seja do homem, prova-me com sentimentos que não se podem descrever. Faz chegar até mim as condições para que eu possa crescer, faz alargar meu espaço para o tamanho que achares necessário eu nesta vida ocupar. Dai-me pares que me sejam ímpares. Meu Deus meu, sei que também eu sou deus em todas as minhas medidas, mas eu me acabo no comprimento exato da ponta dos meus pés a minha cabeça, mas tu, meu Deus meu, tu és todo sem medidas, tu és o continuum, tu és o inteiro, eu sou apenas um pedacinho completo de um todo que és tu; faz, pois, com que não me desvie eu de ti, errando os caminhos e me afastando do que sou, porque me afastar de ti é me afastar de mim, afastando-me de mim mesma nada sou, soul nada. Faz-me eterna na tua eterna idade, na tua eterna entidade. Faz-me eterna em ti, na tua eternidade. Meus caminhos são teus, dos teus caminhos nada sei. Fé tenhamos, eu em ti e tu em mim. Que eu não me desvie dos sonhos, que eu não esmoreça pela dor, que pelas dores eu cresça, que a tristeza não me escureça, que pelos sorrisos não me esqueça do que vale lembrar. Que não me falte o ar enquanto houver sufoco, e que eu me sufoque com o que me falta o ar. Que o mar me seja todo de amor e nele possamos caminhar. Perdoemos&doemo-nos. À mingua carreguemos as mágoas, para que elas não possam a nós regar. Caminhemos avante para onde não se sabe onde, caminhemos acima do que se pode ver, caminhemos alto, até enxergamos tudo pequeno e pequeno e cada vez mais pequeno, até realizarmo-nos da pequenez tão pequena das coisas que, apenas por proximidade visual, as vemos grande; até enxergarmos somente o essecial, tudo o que será visto tratar-se-á de uma imagem ilegível e incompreensível: porque ao longe e ao alto nada será visto: aí então compreenderemos tudo. Ser mundano é fácil.

sábado, 23 de março de 2013

Epitáfio





Dizem que do pó viemos
e ao pó retornaremos.
Ao pó ia-se.
Era virar pó e se ia.
              Foi-se o ditado; aqui jaz e eis meu epitáfio:
                                                                       Serei
                                                                                  
                      Poesia

domingo, 17 de março de 2013

terça-feira, 12 de março de 2013

reveRRever






E eis que crê e ver - escrever -, é ver duas vezes