domingo, 24 de março de 2013

O universo é grande demais e surpreendente demais para que não haja alguém que escute tudo o que pedimos e outro que execute todos nossos pedidos

Meu Deus, da maneira que te concebo e acredito:
eu te sou por inteira e tu também me és por inteiro, ainda que eu te seja uma parte tão ínfima de ti, como um grão de areia ante todos os oceanos: entretanto, sou-te, não me soltes. Leva-me aos teus caminhos e acompanha-me para que eu não me perca na minha estrada a ti. Não te peço sabedoria, não te peço que eleves minha mente a condição de compreender o que vejo e o que meus olhos não alcançam ver; ao invés de te pedir isso eu te informo: quero aprender, estou disposta a isso. Dai-me, então, aprendizados para que eu possa crescer às minhas custas, dai-me desafios para que eu possa superá-los, e desaprendizados para que eu possa aprender a não desaprender. Dai-me a liberdade para que eu tenha o discernimento do que quero prender. Dai-me prisões para que eu saiba do que quero me livrar. Dai-me um livro que não seja do homem, prova-me com sentimentos que não se podem descrever. Faz chegar até mim as condições para que eu possa crescer, faz alargar meu espaço para o tamanho que achares necessário eu nesta vida ocupar. Dai-me pares que me sejam ímpares. Meu Deus meu, sei que também eu sou deus em todas as minhas medidas, mas eu me acabo no comprimento exato da ponta dos meus pés a minha cabeça, mas tu, meu Deus meu, tu és todo sem medidas, tu és o continuum, tu és o inteiro, eu sou apenas um pedacinho completo de um todo que és tu; faz, pois, com que não me desvie eu de ti, errando os caminhos e me afastando do que sou, porque me afastar de ti é me afastar de mim, afastando-me de mim mesma nada sou, soul nada. Faz-me eterna na tua eterna idade, na tua eterna entidade. Faz-me eterna em ti, na tua eternidade. Meus caminhos são teus, dos teus caminhos nada sei. Fé tenhamos, eu em ti e tu em mim. Que eu não me desvie dos sonhos, que eu não esmoreça pela dor, que pelas dores eu cresça, que a tristeza não me escureça, que pelos sorrisos não me esqueça do que vale lembrar. Que não me falte o ar enquanto houver sufoco, e que eu me sufoque com o que me falta o ar. Que o mar me seja todo de amor e nele possamos caminhar. Perdoemos&doemo-nos. À mingua carreguemos as mágoas, para que elas não possam a nós regar. Caminhemos avante para onde não se sabe onde, caminhemos acima do que se pode ver, caminhemos alto, até enxergamos tudo pequeno e pequeno e cada vez mais pequeno, até realizarmo-nos da pequenez tão pequena das coisas que, apenas por proximidade visual, as vemos grande; até enxergarmos somente o essecial, tudo o que será visto tratar-se-á de uma imagem ilegível e incompreensível: porque ao longe e ao alto nada será visto: aí então compreenderemos tudo. Ser mundano é fácil.

Um comentário:

unr disse...

A sua técnica de escrever é maravilhosa,porém és tão ensimesmada que aborrece até monge budista.Sucesso!