sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Sobre o dia de Finados - O dia em que Deverias ter Nascido






Lembrei-me de ti, pensei em te visitar.
Lembrei-me, porém, também, de que no meu coração não mais estás.

Bebi 
tua morte na cerveja, comemorei com etílicos teu fim em mim.

No isqueiro que acendia meu cigarro
Cremado 
fostes tu com o fogo que dentro de ti por mim nunca ardeu - e que em mim ardeu demais.

No meu coração, meu coração de dar dó,
falecido estás.






06 de novembro de 2009 
Mas aí tua mãe mexeu os pauzinhos e foste dia ímpar

Esc(ritos) antigos - n(em tanto)






Há alguém. Eu conheço uma menina que aprecia todas as coisas e seus detalhes, e este último é o que ela mais gosta. Os detalhes: ela vê o que muitos não vêem. Os detalhes são coisas muitas vezes desprezadas, subestimadas talvez. Mas também pode ser o medo de que o detalhe, esse mesmo detalhe, seja maior que toda a obra em si, mesmo escondido. O meu livro será um detalhe: desprezado, quiçá. Mas que ao menos seja percebido por pessoas como essa menina que tem olhos de compaixão por obras mal-sucedidas.


(Ou mal observadas).




17 de abril do ano de 2008




Ou obras-pessoas mal sucedidas.

(Ou mal observadas).


21 de novembro do ano de 2013











Mentiras de mim tiras



I


ai de mim 
que te quero assim
ai de ti
que não me queres a mim
ai de nós
que perto estamos do fim
ai de ti
em mim:
mim
ti.





II


Está na hora de mim te ires.




III


meu amor, me tenho
agora cansada, levo
nos braços o meu peso
de tanto penar, e carrego
ainda a ti num coração
já também cansado
de viver o que não tem vivido,
os ouvidos cansados 
do que tampouco têm ouvido,
um todo a contentar-se com o 
ralo
lembrar do teu olvido
muito embora tenha eu lembrado
de tudo ao que este amor não
fostes atento,
do quanto
te faltou e tens faltado
do quão
acertado
foi teu falho
em evitar o meu descontentamento
não por obra do acaso,
espelho na parede eiriçado,
tu te pões de frente e, assustado,
vês-me reflexo teu ao espelho, ocaso 
em que vês dentro do teu corpo
o meu corpo
a mover-te como se estivesse a vir do alto
te balançando feito
fantoche em minha mão
que agora despida do cansaço
te mostra por onde tem andado
o corpo que precede essa mão e esse esforço
de conhecer o desconhecido 
que fizeste do meu sonho:

es 
    traça
               h
             l    ado,

feito vidro:
quebrado;
levanto o teu olho
para que me vejas enquanto
decepo teu braço
esfaqueio 
teu coração,
retiro teus abraços
e teus sonhos
ainda não realizados:
tudo que de mim tiras.