quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Partitura em fios






Era hora de partir.


Fui ao teu desencontro
trajando o meu costumeiro e velho e tão pertinente
vestido azul de botões brancos, tão simples e fácil e rápido
de escolher e de vestir para quem sente que deverá deixar de sentir;
esse vestido azul, de tanto presenciar ausências presentes e pedidos
renunciados e negados e imperativamente calados, passei a gostar de
chamá-lo, até de maneira carinhosa, de vestido das despedidas. Sentiu
já tanto dó este vestido, que ao voltar do teu-nosso desencontro, 
rasguei-o. Meu vestido de partidas.
Foi triste. E foi bonito.
Após rasgá-lo, como imersa em uma contagem demorada dos segundos, 
assisti caírem, sinuosamente, os seus fiapos no chão, 
os seus pequenos e quase invisíveis restos de fios, como que
estivessem em um baile. 
Tanto 
dó 
viu esse vestido, que, ao término do 
baile, fiapos ao chão,
percebi que tinha ouvido
música.

Minha partitura.
















aos vinte e oito - que pareceram ali serem finitos - 
dias do mês de julho do ano de dois mil e quatorze.









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