quinta-feira, 28 de agosto de 2014

eu te protejo de te aprisionar em uma palavra.
imerso em uma infinitude de indizíveis, apenas pairo ante tudo o que sinto, 
não como se fosse o que me resta. 
porque me sobra.
prefiro o sussuro do silêncio, que irrompe a barreira do traduzível, isto, que em fazer-se das letras tudo promete, tudo estatifica, tudo contém, tudo imita. prefiro o susurro do silêncio, não trisca o intransponível, não balbucia palavras, não traduz, nada promete nem estatifica. prefiro o susurro eloquënte do silêncio, não macula sentimento, nada fala - e tanto diz!
















reluto 
em te chamar de  
amor 
esse sentimento tão 
vulgar 
a palavra dos amantes 
dizem-na em seus durantes 
a boca de quem tanto tantas vezes já 
amou 
tanto quanto tantas vezes 
luto 
o coração já 
trajou  
por quanto tantas vezes já 
morreu 
na boca de quem tantas vezes palavra 
usou 
àquelas a quem se ousou chamar 
amor 
reluto, pois 
em te chamar de  
amor 


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