sábado, 12 de setembro de 2015

sou boa em matemática


dizem que em amor
duas pessoas devem ser
uma só
mas a verdade é que 
fazendo as contas
um não faz 
elo
para ser 1 é mister ser
2
é necessário um sinal de +
para ser -
para ser 1
que é muito mais:
há que ser dois
assim como a palavra 
paralelo
paralelo
tem duas linhas 
para lê-las
são dois conjuntos
em que o primeiro l 
é intersecção
entre para 

elo

quinta-feira, 20 de agosto de 2015















céu te amo







quarta-feira, 19 de agosto de 2015







verde 
perto você
me faz
vermelho






quinta-feira, 30 de julho de 2015










Café tu, Brutus?






sábado, 11 de julho de 2015









vi e vendo o presente









domingo, 31 de maio de 2015














não é preciso pedir desculpas
por não ter trazido um poema
para ler no sarau, e nem dizer
que na próxima vez levará um.
um poema 
não precisa 
trazer um poema.
















VSH?
não,
VHS
fita, cacete!








segunda-feira, 25 de maio de 2015








certa vez li que o amor é bem menos espalhafatoso do que dizem. fiz lembrete do que li e guardei o papelzinho mental em um bolso imaginário de uma calça que eu nem lembro qual era a que eu usava nesse momento. hoje, ao meter as mãos no bolso, senti um papel amassado lá no canto, já bem moldado àquele recanto do meu bolso. abri, com um pouco de dificuldade, aquele papel. nada. virei o outro lado. nada novamente. apenas um papel amassado em minhas mãos. fiquei ali diante daquele papel em branco, amassado, diante de nenhuma surpresa, para minha surpresa. e compreendi. o amor é bem menos espalhafatoso do que costumam dizer, aliás, o amor não é espalhafatoso, e não é porque não precisa espalhar fatos por aí pra se provar como tal. 
o amor é espalhatoso. 









segunda-feira, 18 de maio de 2015






apreensões e apreendimentos:



esperei 
aprender:

aprendi
a esperar:

esperando,
aprendi:
a não esperar

não esperando vi:
que há muito a aprender
à minha espera













Luíza, sua vadia:



depois de tantos anos ao teu lado, melhor dizendo, atrás de ti,
e principalmente depois do dia em que você chegou em casa
com esta máquina de costura, mais uma invenção sua pra me
deixar esperando, mais uma desculpa esperar você sair da máquina pra gente se costurar e você me dizer que não era que não queria mas que tinha os pés cansados e vista doída: foi bom
você achar que eu estava dormindo enquanto você saía durante
a madrugada, foi bom porque eu fiz questão de cada vez mais me fazer maltrapilho aos seus olhos e pude contemplar o espetáculo
que era ver você abotoar tão amiúde esse seu vestido florido que eu te dei pra que te deitasses suada nos braços de todos eles, e
acordar deitada na minha cama ainda mais perfumada do que saiu.
foi bom te ver costurar uma outra vida pra você ser a protagonista
porque você não foi, porque a sua máquina está na minha casa
que também é sua e você precisa dela pra criar as suas
desculpas, parte da sua novela. a sua máquina não funciona sem
um fio e você me precisa de novelo. gosto de me ver brilhar nessa
história com ser ofuscado.
depois de tantos anos, posso dizer
que adoro
as suas desculpas ex-
farrapadas,
hoje tão bem vestidas,
parecem
até
verdade.






Com amor,

Mauro.







quinta-feira, 7 de maio de 2015








eu te amo em 7 letras é pouco
eu te 8
=
78


























dúvidas sobre o que fazer na vida: 




não sei se me decido por fazer letras
ou por apenas deixar que elas me façam












quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015









você me contou que quando era pequeno (como se por um lado já não fosse mais) nunca via ninguém escutar radiohead no carro, e que sonhava em, quando fosse grande (como se já de pequeno não o fosse), ter um carro só seu para poder dirigir escutando radiohead.

você ainda não tem seu próprio carro para dirigir. mas talvez a vida tenha te dado algo melhor do que isso.
foi o que pensei quando estávamos passando pela venâncio neiva. a vida ainda não te deu um carro; mas te deu um filho para passear você,
e deu a ti os meus caminhos.
não era você quem dirigia o carro, ainda agora, na venâncio neiva, era eu, com minha irmã, você e seu filho.
escutávamos radiohead. 
e acho que alguém deve ter nos visto.