segunda-feira, 18 de maio de 2015





Luíza, sua vadia:



depois de tantos anos ao teu lado, melhor dizendo, atrás de ti,
e principalmente depois do dia em que você chegou em casa
com esta máquina de costura, mais uma invenção sua pra me
deixar esperando, mais uma desculpa esperar você sair da máquina pra gente se costurar e você me dizer que não era que não queria mas que tinha os pés cansados e vista doída: foi bom
você achar que eu estava dormindo enquanto você saía durante
a madrugada, foi bom porque eu fiz questão de cada vez mais me fazer maltrapilho aos seus olhos e pude contemplar o espetáculo
que era ver você abotoar tão amiúde esse seu vestido florido que eu te dei pra que te deitasses suada nos braços de todos eles, e
acordar deitada na minha cama ainda mais perfumada do que saiu.
foi bom te ver costurar uma outra vida pra você ser a protagonista
porque você não foi, porque a sua máquina está na minha casa
que também é sua e você precisa dela pra criar as suas
desculpas, parte da sua novela. a sua máquina não funciona sem
um fio e você me precisa de novelo. gosto de me ver brilhar nessa
história com ser ofuscado.
depois de tantos anos, posso dizer
que adoro
as suas desculpas ex-
farrapadas,
hoje tão bem vestidas,
parecem
até
verdade.






Com amor,

Mauro.







Um comentário:

Roberto Henrique disse...

Nossa!Muito bom mesmo!