segunda-feira, 3 de outubro de 2016

03/10/2016



Não importa que não escrevas mais. Cedo ou tarde, o lápis que estiver ao teu alcance ou a máquina que ficou ao pé da cama sempre te chama, mesmo que tarde. Sei que a máquina te compele, como um grande pólo magnético, e ela te mira e te amedronta. Eu sei que ela te chama. Não importa que não queiras, não há volta nesse caminho. Não há volta para as palavras escritas, pois já não tuas, elas continuam seu próprio caminho. Eu sei que o texto te chama, está já todo escrito, falta apenas que o escrevas. Não escrevê-las, as palavras, no entanto, não me impede de te ler. Alguns silêncios têm no tempo a sua composição; as suas distâncias, porém, não são medidas por quilômetros, mas por um novelo, pelo fio que se arrasta o mesmo tanto quanto nos afastamos. Junte todas as idas, vindas, idas e vindas e idas sem vindas, teremos um fio longo e cheio de nós e que não pára de agrandar. Mais nos aproximamos um do outro quanto mais nos distanciamos. Quanto mais distanciamento, maior o fio que nos mantém justapostamente distantes - e unidos. É uma lógica inversa: o tanto de distanciamento é o mesmo tanto de aproximação. Prove isso tentando contar os metros do largo fio que nos une. Parece lonjura, mas toda a distância não passa de um entrelaçamento quântico inverso de aproximação. Bonito arranjo esse universo emaranhado de nós que enxergo sem precisar acessar outra dimensão.








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